A habilidade verbal do brasileiro é uma coisa admirável. Nos bares, nas ruas, em prosas à beira de copos ou pratos, no rádio e na televisão, a língua do Brasil floresce em todo o seu esplendor. Mas, quando alguém precisa escrever, começa a tropeçar logo nas primeiras linhas. O remédio principal é aumentar a relação "bunda-cadeira-hora". O brasileiro lê pouco e escreve menos ainda. Precisa fazer mais as duas coisas, na escola e fora dela. Uma providência adicional é exigir dos candidatos a cargos públicos que conheçam e respeitem a língua-mãe. O inglês Thomas Young e o francês Jean-François Champollion, que decifraram a escrita hieroglífica, não sabiam português. Se soubessem, descobririam que muitos gramáticos substituíram os sacerdotes e os escribas, seguindo o ditado alemão: "Warum einfach, wenn's auch kompliziert geht?" (Por que o simples se o complicado também serve?). A Língua Nossa de Cada Dia descomplica a língua portuguesa, não por meio de receitas simplórias, mas mostrando que a botânica e a jardinagem são partes indissociáveis do gosto de ouvir, ler, falar e escrever.
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