“Visto, sim, visto que andam enganando o meu povo, dizendo: Paz, não havendo paz; e, quando alguém edifica uma parede, eis que a rebocam com argamassa fraca. Dize aos que a rebocam com argamassa fraca que ela cairá; haverá uma chuva inundante, e vós, ó grandes pedras de saraiva, caireis, e um vento tempestuoso a fenderá. Ora, eis que, caindo a parede, não vos dirão: Onde está o reboco com que a rebocastes?”
Ezequiel 13.10-12
INTRODUÇÃO
Ezequiel foi enviado para despertar o povo de Jerusalém para o senso de perigo. Essa tarefa já era em si mesma bastante difícil, pois ele tinha de lidar com um povo adormecido, seguro em sua carnalidade. Mas a dificuldade aumentava ainda mais pelo fato de que, naquela época, surgiram muitos falsos pretendentes à profecia, homens e mulheres, que exerciam grande influência entre o povo.
Eles imitavam a linguagem do profeta. Vinham com suas mentiras e as introduziam com as solenes palavras, “Assim diz o Senhor”, fingindo ter uma comissão do Senhor dos Exércitos. Assim, o povo de Jerusalém mal sabia em quem acreditar — se em Ezequiel, que profetizava terrores, ou nesses impostores que diziam, “Paz, paz”. Seus corações maus se inclinavam para o lado dos falsos profetas, porque estes os adulavam descaradamente. Amontoavam para si mestres que, por um pedaço de pão, profetizavam segundo os seus desejos.
Pode-se bem imaginar como o sangue do profeta fervia ao ver seus próprios labores arruinados e as almas que tanto amava sendo terrivelmente enganadas por esses mercenários de baixa origem, que vestiam um manto grosseiro para iludir. Ele não era daqueles que podiam se contentar em entregar a mensagem e deixar os outros em paz, como hoje em dia somos aconselhados a fazer. Ao contrário, ele se voltava contra os enganadores e os denunciava com terrível intensidade, porque via que eram lobos em pele de cordeiro devorando o rebanho.
Agora, em nossos dias, estamos em circunstâncias semelhantes. O verdadeiro servo de Deus, em seu ministério, não ousa profetizar coisas agradáveis a homens e mulheres não convertidos. Ele é portador de boas novas para os que se voltam ao Senhor, mas enquanto “o peso do Senhor” está sobre ele a respeito dos impenitentes e dos que não creem no Senhor Jesus Cristo, ele tem más notícias para aqueles que vivem afastados de Deus. A estes adverte sobre uma terrível expectativa de juízo e de indignação de fogo. Ele enxerga diante deles uma eternidade de destruição total e proclama o dia da vingança do seu Deus.
Entregar tais advertências solenes com ousadia e destemor não é tarefa fácil, e fazer com que os homens as recebam é trabalho impossível sem o poder do Espírito Santo. Os homens amam o prazer presente e a liberdade pecaminosa, e odeiam ser avisados sobre o dia em que essas coisas lhes serão cobradas. Por que tocar o dobre fúnebre quando eles amam o som festivo dos sinos?
E não é só isso, pois assim como Janes e Jambres resistiram a Moisés, também falsos profetas resistem a nós. Mesmo agora existem aqueles que nos contradizem, que estão sempre anunciando coisas suaves ao povo. Com o diabo à frente, esse arquimestre e príncipe dos enganadores, há uma grande multidão espalhada pelo mundo que está sempre dizendo: “Não será assim. Você terá prazer, mesmo pecando. Terá descanso, mesmo desobedecendo. E tudo terminará bem, mesmo que rejeite o Evangelho de Cristo.”
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