Dias de apego, dias de desespero. Traumas sofridos, traumas vividos Sonho roubado, sonho despedaçado Alma sofrida, alma doída Solidão, medo, exclusão. Uma vida sem sentido, vida sem razão, com os pés descalços tocava o chão, em busca de ajuda estendia a mão. Ninguém me via, ninguém me ouvia, viravam o rosto sem motivo, sem razão. Debaixo de uma marquise olhava o mundo ao redor sem solução Em “trapilhos”, maltrapilho. Em meu ser, duas companheiras que um dia pensei serem distantes: frio e fome não passageira. Mas por um bom tempo, minhas companheiras de uma vida traiçoeira. Olhos em lágrimas, lágrimas derramadas por ter perdido uma vida sonhada. Não sabia, não acreditava e a cada minuto ali me desesperava. Aí marquises – ali debaixo quantas vidas despedaçadas. Homens, mulheres, crianças, negro, branco. Paraibano, carioca, mineiro, paulista ou capixaba. Não importa o motivo ou a razão, embaixo de uma marquise há uma só companhia: a exclusão. Sociedade sofrida, iludida, enganada ao ver quem está ali como ameaça. Não se engane, não se permita. Homens e mulheres que ali estão podem mudar de vida. Dentro do peito, um coração, e em cada rosto, uma história, que a qualquer momento pode tomar outra trajetória. Esmolava, pedia e, ao mesmo tempo, sonhava. Uma vida melhor, um mundo melhor. A vida mudou, a página virou e o homem que ali deitava virou escritor. Leo Motta, ex-morador de rua, Há vida depois das marquises.
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