A avaliação pelo IDEB considera EXCLUSIVAMENTE os resultados numéricos.
Entretanto há questões a considerar e as análises estatísticas demonstram claramente que o IDEB, usado isoladamente, não permite avaliar adequadamente a qualidade da educação.
Falta considerar os resultados das provas de conhecimento do SAEB aplicadas no quinto e nono anos do Ensino Fundamental e no terceiro ano do Ensino Médio.
O estabelecimento de metas está bem configurado no artigo “Projeções” de Reynaldo Fernandes, economista e presidente do INEP na época do lançamento do IDEB (2007).
“A definição de uma meta nacional para o IDEB em 6,0 significa que o país deve atingir em 2021, considerando os anos iniciais do ensino fundamental, o nível de qualidade educacional, em termos de proficiência e rendimento (taxa de aprovação), da média dos países desenvolvidos (média dos países membros da OCDE) observada atualmente (2007).”
“A lógica é a de que para que o Brasil chegue à média 6,0 em 2021, ..., cada sistema deve evoluir segundo pontos de partida distintos, e com esforço maior daqueles que partem em pior situação, com um objetivo implícito de redução da desigualdade educacional.”
Na projeção temporal das metas considerou-se o valor do IDEB em 2005 em cada escola, município, estado, com consecução de 6,0 em 2021 e obtenção de equalização geral em 2096.
A evolução do aprendizado não acompanhou a do IDEB. Observa-se, ao longo do tempo, uma melhoria do fluxo e do IDEB mas não no desempenho acadêmico indicado pelo aprendizado e pelas notas das provas de Matemática, Português e sua Média.
Enquanto o IDEB aumentou 63 % de 2005 a 2021, o APRENDIZADO aumentou 25 %.
Vale observar o que aconteceu com os escores do SAEB: a média aumentou 13 % enquanto a progressão em Português foi de 15% e de Matemática, 11%.
As razões básicas desta distorção estão na metodologia do cálculo do APRENDIZADO, conforme exemplo na “Nota Informativa Ideb 2021” no site do INEP.
A discrepância leva a uma majoração do aumento do APRENDIZADO, mascarando o incremento menor do desempenho acadêmico e resultando na falsa ilusão de melhoria.
Notando o que aconteceu com as baixas porcentagens nas matérias específicas observa-se que o cálculo do fator “APRENDIZADO” requer revisão. Ele deve ser ajustado para corresponder de forma mais fidedigna ao resultado das provas do SAEB.
Relativamente ao fator “FLUXO” hesitamos em revelar a percepção de que, propositalmente ou não, os sistemas educacionais realizaram a melhoria do IDEB via o incremento da promoção escolar. Percebe-se, com incômoda frequência, a adoção de “promoção automática”. Não se trata de diminuir a importância da melhoria do fluxo mas de considerar também a “nota” na avaliação desses sistemas.
A consideração do que aconteceu ao longo do tempo pode levar a uma escala mais adequada principalmente se observarmos que as metas são distintas para cada Estado.
Essa distinção não recomenda o uso de valores absolutos do IDEB para comparar desempenhos.
Se as metas fossem comuns a todos os Estados os valores absolutos do IDEB a cada ano teriam validade também relativa.
No cálculo do IDEB multiplica-se o resultado da prova pelo rendimento escolar considerado pelo cálculo tempo médio de conclusão de uma série (Nota Técnica nº 1: concepção IDEB).
As variações percentuais revelam que houve progresso nos índices de aprovação e evasão escolar superior ao observado no rendimento, na aprendizagem. Esta conclusão é comum a todos os Estados.
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