Há épocas que se contentam em produzir livros; a era vitoriana produziu, além deles, um mundo inteiro. Em A Era Vitoriana na Literatura, G. K. Chesterton volta seu olhar, simultaneamente irreverente, perspicaz e apaixonado, para um dos períodos mais extraordinários da literatura inglesa. Não se trata, porém, de uma história literária convencional. Chesterton não organiza autores como peças silenciosas numa vitrine: ele os desperta, provoca, contradiz e, sobretudo, devolve-lhes vida. Dickens, Thackeray, Carlyle, Ruskin, Browning, Tennyson e tantas outras figuras surgem nestas páginas não apenas como nomes consagrados, mas como homens envolvidos nas grandes batalhas espirituais, políticas e intelectuais de seu século. Para Chesterton, compreender uma literatura exige compreender as convicções que a alimentaram, suas esperanças, seus equívocos, suas rebeliões e até mesmo suas contradições. E contradições, naturalmente, são território familiar ao autor. Com seu característico gosto pelo paradoxo, Chesterton mostra que a era frequentemente lembrada como rígida e convencional foi também uma época de extraordinária inquietação; que seus escritores, considerados hoje monumentos, foram em seu tempo combatentes; e que por trás das respeitáveis fachadas vitorianas havia uma sociedade discutindo apaixonadamente o significado da liberdade, da fé, do progresso, da democracia e do próprio homem. O resultado é uma obra que está a meio caminho entre a crítica literária, o ensaio histórico e uma brilhante conversa sobre ideias. Chesterton não pretende apenas dizer quem foram os vitorianos, mas descobrir o que eles acreditavam estar fazendo, e por que ainda devemos nos importar com isso. Mais de um século depois de sua publicação, A Era Vitoriana na Literatura permanece uma introdução singular a um dos grandes momentos da cultura ocidental: erudita sem ser árida, provocadora sem ser obscura e espirituosa sem jamais perder de vista as questões fundamentais. Porque, para Chesterton, os grandes livros nunca pertencem inteiramente ao passado. São precisamente aquelas coisas antigas que continuam tendo a desagradável mania de fazer perguntas ao presente.
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